Breve histórico da agricultura em Rondonópolis
Artigo da Professora clotildes souza farias
Quem hoje contempla Rondonópolis iluminada pelos holofotes
nacional e internacional graças à sua grande produção de grãos, nem imagina que
no início era enxada e o braço do trabalhador que lavravam essas terras que
posteriormente seriam conhecidas como modelo agro-exportador.
Liderados
por José Rodrigues dos Santos, as primeiras famílias de goianos que se
instalaram no início do século XX em Rondonópolis - antigo Povoado do Rio
Vermelho- fizeram-se pioneiros na atividade agrícola que não consistia apenas
na agricultura de subsistência, mas havia no povoado uma pequena
comercialização de alguns produtos agrícolas.
Na década de 1920, após deslocar-se para Boa
Vista com sua família, José Rodrigues dos Santos inicia o cultivo da
cana-de-açúcar para a produção de aguardente e de açúcar. Mesmo com sua
produção quase artesanal, o alambique construído pelos Rodrigues consistiu na
primeira fábrica instalada no município de Rondonópolis. Além do cultivo da
cana-de-açúcar, José Rodrigues cultivava em sua propriedade arroz, feijão,
milho, mandioca e fumo. Manuel Conrado, irmão de José Rodrigues, introduziu o
cultivo do café, em caráter de experiência.
Devido
às grandes dificuldades enfrentadas no transporte dos produtos agrícolas
produzidos em Rondonópolis para a capital do estado, parte desses produtos era
comercializada na região e a outra parte supria as necessidades da própria
família.
Com a
vinda de outros migrantes para Rondonópolis, a atividade agrícola também foi
aumentando e diversificando, porém sempre recuada pela precariedade logística
da época. Estradas estaduais e federais sem nenhuma pavimentação era empecilho
para o escoamento da produção agrícola local.
Mais
tarde, em 1949, uma Lei assinada por Arnaldo Estevão estabelecia a doação de
lotes coloniais de 10 a 50 hectares a quem quisesse cultivá-los. Juntamente com
o projeto de colonização de Mato Grosso, as melhorias na malha rodoviária de
Rondonópolis também impulsionaram a atividade agrícola da cidade. A localização
estratégica de Rondonópolis, situada no entroncamento das rodovias federais 364
e 163, também foi um fator de grande relevância no escoamento não somente dos
produtos agrícolas como também os da pecuária.
Porém
mesmo com os referidos avanços, Rondonópolis ainda estava longe de ser esse
grande ícone do agronegócio, pois, até meados dos anos 50, os pequenos
produtores que aqui se fixaram, dedicavam-se basicamente ao plantio de produtos
tradicionais como, por exemplo, o arroz, o feijão, a mandioca e o algodão. Sem
financiamentos disponíveis e munidos apenas de instrumentos de trabalho
rudimentares, os agricultores apresentavam desinteresse por ousar nessa
atividade econômica.
Mesmo
após os anos 50 quando houve a extinção da doação de terras devolutas e da
entrega de produtos agrícolas aos pequenos produtores, a migração para
Rondonópolis ainda prosseguia. Principalmente cearenses a baianos, seguidos por
mineiros e capixabas, deslocavam de suas cidades atraídos pela propaganda de
terras férteis e gratuitas, formando um contingente de mão-de-obra para a
prática agrícola.
Vale à
pena destacar aqui uma alta produção de arroz no fim da década de 50, quando o
produto ficou notadamente acima da demanda obrigando os produtores a
armazená-lo. Fator esse que resultou em um desequilíbrio da balança comercial e
no prejuízo por parte de alguns comerciantes de Rondonópolis que não conseguiam
receber dos agricultores, pois estes tiveram dificuldades em conseguir
financiamentos de suas produções.
Em
resposta à queda da produção agrícola e aos apelos dos agricultores, os
governos estaduais e federais instalam novos armazéns que garantiriam a
superação do déficit no armazenamento de grãos. Porém mais uma vez o pequeno
produtor é impedido de usufruir dos benefícios oferecidos, pois, algumas das
condições foram impostas como pré-requisito, como por exemplo, que a colheita
anual atinja o mínimo de 1.500 sacas ou 90 toneladas ao ano.
Se hoje os agricultores contam com o auxílio de vários
profissionais e com uma tecnologia avançada a favor no controle de pragas e na
seleção de sementes, naquela época o cenário era bem diferente. A maioria dos
agricultores fazia o controle de pragas das matas utilizando-se de queimadas e
na plantação era comum o uso do Inseticida Brenco. E, longe das tais sementes
selecionadas ou transgênicas, o plantio contava apenas com as sementes comuns.
Ainda antes do trabalho nas lavouras contar com o auxílio de
maquinários agrícolas modernos, no final dos anos 50 e início dos anos 60,
Rondonópolis recebeu o título de “Rainha do Algodão”. Porém essa atividade
agrícola gradativamente foi perdendo forças abrindo espaço a outras culturas e,
no final da década passada ressurge, mas, dessa vez de forma mecanizada.
Já nos fim dos anos 60, início da década de 70, alguns
maquinários agrícolas começaram a surgir em Rondonópolis e, quem não tivesse o
poder aquisitivo para comprá-los, poderia locá-los. Conseqüentemente a esse
fator, a produção agrícola da cidade passa a ser mais dinâmica.
Ainda nos anos 70, é nítida a tendência à formação de
latifúndios. Os pequenos produtores, gradativamente, foram sendo marginalizados
do processo de modernização do campo, seja pelo fato de apresentar dificuldades
de compreensão dos procedimentos bancários ou por insegurança em se arriscarem
em financiamentos e, que sem opção, vendem suas terras a fazendeiros e
comerciantes que, utilizando dos benefícios dos programas de incentivos fiscais
do Governo, levantam o estandarte de um “Brasil moderno”.
Após os anos 70 muitos agricultores galgaram suas produções
graças a financiamentos por intermédio das Carteiras Rurais que ofereciam juros
atraentes. Ainda nesse período, após testes, técnicos da EMBRAPA introduziram
no cerrado a “braquiária” que revolucionou a pecuária da época, aumentando a
área de pastagem. Alguns proprietários da região trocaram outras culturas
agrícolas pelo plantio desse capim tanto para alimentação do gado quanto para a
venda de sementes.
Um marco crucial na história agrícola de Rondonópolis foi à
introdução da cultura da soja em solo rondonopolitano pela família Salles.
Comerciante do sudoeste paranaense, Adão Riograndino Mariano Salles, troca seu
comércio por uma propriedade na região de Ponte de Pedra com 9,8 mil hectares
onde, posteriormente fizeram a primeira experiência com a soja da variedade
Santa Rosa.
A primeira safra da família Salles obteve uma produtividade
de 15 sacas por hectare. Entretanto, a soja já colhida não teve destino nobre,
pois sem ter quem a comprasse, não tiveram alternativa a não ser jogar aos
porcos.
Com o passar do tempo, a produção da soja no cerrado foi se
difundindo e novas variedades foram sendo cultivadas contribuindo para que uma
produção em escala comercial a partir da década de 1980- principalmente depois
da vinda de agricultores da região Sul do Brasil, atraídos pelo bom desempenho
da soja no cerrado.
Inserida no processo de globalização econômica, Rondonópolis
entre os anos 80 e 90 assume um perfil arrojado com a vinda de novas empresas e
investidores. Antes conhecida como “Rainha do algodão”, Rondonópolis conquista
o título de “Capital da soja” e, é claro que com essa quantidade de produtos
agrícolas a cidade teve um aumento de sua frota de carretas e, conseqüentemente,
detém mais uma titulação para seu currículo, “Capital do bitrem”.
Em setembro de 2013, Rondonópolis passou a contar com o
terminal no Complexo Intermodal, obra esta que integra o Programa de Aceleração
de crescimento 2(PAC 2). O complexo tem sua área equivalente a 900 campos de
futebol, 385,10 hectares e se localiza na BR 163 a 28 quilômetros do centro da
cidade.
A América Latina
Logística (ALL) investiu 880 milhões de reais na construção da linha
ferroviária de Alto Araguaia até Rondonópolis, sendo o maior Complexo
Intermodal da América Latina interligando o escoamento da produção agrícola
mato-grossense até o Porto de Santos.
Bibliografias:
TESOURO, Luci Léia Lopes Martins. Rondonópolis-MT: Um
Entroncamento de Mão Única( lembranças e experiências dos pioneiros). São
Paulo: LLLMT, 1993.
Fontes:


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